O ritmo de retração da demanda por transporte aéreo dentro do Brasil, que em base mensal vinha dando sinais de arrefecimento desde outubro, voltou a acelerar em fevereiro. Na comparação com o mesmo mês de 2016, o indicador aponta queda de 4,9%. Essa é 19º redução consecutiva. Além disso, em base anual a baixa acontece sobre o resultado negativo de 3,1% de fevereiro de 2016 em relação a fevereiro de 2015. Com isso, em termos absolutos, a demanda de fevereiro de 2017 foi a menor para o mês desde 2013. Para qualquer mês, é o menor número desde abril do ano passado.

Do lado da oferta, a contração em fevereiro desse ano chega a 5,8% em relação ao mesmo mês do ano passado. O indicador tem baixas repetidas há 18 meses. Em valores absolutos, chega ao menor nível para o mês de fevereiro desde 2011. Para qualquer mês, é o menor número desde abril do ano passado.

O fator de aproveitamento foi novamente aprimorado, avançando 0,79 ponto percentual (79,23% de ocupação dos voos). Foram realizadas pouco mais de 6,6 milhões de viagens no mês, volume 4,8% inferior ao do mesmo período de 2016. Esse é o menor total de passageiros transportados em fevereiro desde 2013. Observando qualquer mês, a aviação brasileira também não transportava tão poucos passageiros desde o mesmo fevereiro de 2013.

Todas as estatísticas são referentes às operações das empresas AVIANCA, AZUL, GOL e LATAM, integrantes da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (ABEAR), que respondem juntas por mais de 99% do mercado doméstico.

Participação do mercado doméstico em fevereiro de 2017:

GOL – 35,78%

LATAM – 32,47%

AZUL – 18,36%

AVIANCA – 13,39%

Transporte internacional

Neste mês de fevereiro as companhias aéreas brasileiras registraram aumento da demanda internacional da ordem de 6,8% ante igual período do ano passado. Na mesma base, a oferta teve ligeira expansão de 0,6%. Com a demanda evoluindo mais fortemente do que oferta, o fator de aproveitamento teve alta de 4,95 pontos percentuais (85,34% de ocupação dos voos). O total de passageiros transportados no mês chegou a 665 mil clientes, alta de 8,5%.

Os totais absolutos de oferta, demanda e passageiros são os mais elevados para qualquer mês de fevereiro para o conjunto das aéreas brasileiras no mercado internacional. Recuando na série histórica, entretanto, tais números são os menores desde novembro do ano passado.

A tendência apontada na última comunicação Dados e Fatos da ABEAR, de aumento das demandas mensais recentes das aéreas brasileiras como resultado de uma maior participação no mercado total ante às congêneres estrangeiras ao longo de 2016, continua a se verificar.

Em janeiro de 2017 (último mês em que estão disponíveis na ANAC tanto os dados das brasileiras quanto os das estrangeiras), as aéreas brasileiras atingiram um market share de 29,66% da demanda. Em janeiro de 2016 essa parcela estava na casa de 26,63%. No mesmo mês, entretanto, a demanda total por transporte aéreo internacional no Brasil (brasileiras + estrangeiras) recuou 6,0% (a oferta encolheu 10,9%, enquanto o número de passageiros teve retração de 3,8%).

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Participação do mercado internacional em fevereiro de 2017 (entre as empresas brasileiras):

LATAM – 78,87%

GOL – 11,52%

AZUL – 9,49%

AVIANCA – 0,12%

Acumulados do ano

No mercado doméstico, nos dois primeiros meses de 2017 na comparação com igual período de 2016, a oferta consolidada tem redução de 4,1%, enquanto a demanda cai 2,9% e o volume de passageiros baixa 3,3% (15,2 milhões viagens realizadas). O fator de aproveitamento tem melhora de 1,04 ponto percentual, para 82,09%.

No mercado internacional, também na comparação dos primeiros bimestres de 2016 e 2017, a oferta tem crescimento de 1,3%, a demanda avança 6,0% e o volume de passageiros transportados se expande em 7,2% (1,4 milhões de viagens). O fator de aproveitamento tem aprimoramento de 3,84 pontos percentuais, para 86,64%.

Cargas

Com a movimentação de 25,5 mil toneladas, o mercado doméstico de carga aérea experimentou avanço de 12,2% no volume transportado em fevereiro de 2017 ante o mesmo mês do ano anterior. No mercado internacional o crescimento foi mais expressivo, chegando a 18,8%, para um total de 17,5 mil toneladas de carga movimentada. As estatísticas incluem as operações das associadas AVIANCA, AZUL, GOL, LATAM e LATAM CARGO.