O governo do Reino Unido aprovou  a expansão do Aeroporto de Heathrow, em Londres, para o que será construída uma terceira pista naquela estrutura aeroportuária.

“O governo está a dar hoje um passo verdadeiramente decisivo. Sinto-me orgulhoso que, após anos de discussão e adiamento, este governo tome a ação decisiva para assegurar o lugar do Reino Unido no mercado global de aviação,” afirma o ministro dos Transportes, Chris Grayling, num comunicado distribuído pelo seu gabinete em que é justificada a opção pela terceira pista em Heathrow.

A decisão de avançar com a obra avaliada em 20,2 mil milhões de euros, precisa ser validada pelo Parlamento Britânico e é defendida pela primeira-ministra Theresa May, que desde a sua tomada de posse, neste Verão, comprometeu-se com uma solução rápida para o aumento da capacidade aeroportuária da zona metropolitana de Londres. Apontou até que seria um dos meios do Reino Unido se tornar mais aberto e global, após o Brexit.

O Ministério dos Transportes britânico considera que a construção de uma nova pista em Heathrow irá criar até 2025 mais 77.000 postos de trabalho e aumentará o produto interno bruto do Reino Unido entre 0,65 a 0,75 por cento até 2050. Serão os melhores números dos últimos 60 anos, antevê a comissão.

A construção de uma terceira pista de 3.500 metros de extensão em Heathrow, aumentará a capacidade desta estrutura aeroportuária para acolher 740.000 movimentos aéreos por ano, mantendo o fluxo da procura da capital britânica, quer para negócios, quer para lazer, ou até como escala para voos intercontinentais.

A construção tem vindo a ser contestada pelas associações ambientalistas e outras constituídas por populares e habitantes da zonas que serão expropriadas, que ameaçam com ações judiciais, o que pode protelar o início dos trabalhos e consequente implantação do projeto.

Dentro do próprio governo de Theresa May, a decisão não colhe unanimidade. O primeiro a manifestar-se foi Boris Johnson, antigo ‘Mayor’ de Londres e atual ministro dos Negócios Estrangeiros/Relações Exteriores, que disse que a terceira pista em Heathrow é intolerável e que se trata de uma má notícia para a cidade de Londres e para toda a Grã-Bretanha.

Um milhão de pessoas serão afectadas pela expansão, que o mais tardar estará concluída em 2030 – embora se aponte para 2025 -, dizem os opositores, como Daniel Moylan, antigo conselheiro de Boris Johnson para assuntos de transporte aéreo. A Greenpeace já anunciou que contestará em tribunal uma decisão de expansão.

No ano passado, Heathrow processou 75 milhões de passageiros, entre partidas e chegadas, e registou 472 mil movimentos aéreos, correspondendo a cerca de 1.300 movimentos por dia. As ligações de e para o aeroporto servem 185 destinos em 84 países.