Parcerias e EaD são as novidades do ensino da escola de oficiais superiores

Na segunda reportagem sobre a Reestruturação do Ensino, determinada pela Concepção Estratégica “Força Aérea 100”, será abordada a Escola de Comando e Estado-Maior da Aeronáutica (ECEMAR) que também passa por reformulações na área educativa. As principais mudanças ocorrem no Curso de Comando do Estado-Maior (CCEM) e no Curso de Altos Estudos Militares (CAEM), este último criado em substituição ao antigo Curso de Estudos e Políticas Estratégicas Aeronáuticas (CPEA).

Responsável pela formação de oficiais superiores, a ECEMAR traz como novidades a introdução do ensino à distância na grade curricular dos cursos CCEM e CAEM, além da possibilidade de maior qualificação profissional. Ainda no projeto de reformulação, a novidade é uma recente parceria do CCEM com o mestrado profissional do Programa de Pós-Graduação em Ciências Aeroespaciais (PPGCA).

“Os principais processos da área educativa  estão sob responsabilidade da Coordenadoria de Ensino, que agora atua na pós-formação, desde o curso de Capitão, passando pelo CCEM até o Coronel. Isso nos trouxe a possibilidade do ensino continuado, que foi tão discutida por várias gerações e hoje conseguimos colocar em prática”, avalia o Comandante da ECEMAR, Brigadeiro Ricardo José Freire de Campos. A criação de duas Vice-Reitorias, a de Cursos Militares e a Acadêmica, pôde aplicar o plano de educação continuada e promover maior integração dos cursos, ao longo da carreira.

Entenda o que muda no CCEM

Ainda atendendo à ideia de educação continuada na formação de oficiais superiores em um nível mais estratégico, o CCEM permanece. Porém, um novo curso realizado à distância, o Curso Básico de Comando do Estado-Maior (CBCEM), surge em substituição ao antigo estágio preparatório (EPCCEM), que ocorria em momento anterior ao CCEM.

O curso CBCEM também passa a contemplar um MBA de Planejamento e Gestão Estratégica como novidade. Terminada a etapa do CBCEM, o oficial estará apto, na sequência, a realizar o curso presencial, que inclui o módulo de Doutrina Básica da Força Aérea.


Já durante o período presencial do CCEM, a partir de agora os alunos têm a opção de realizar disciplinas do primeiro ano do mestrado profissional do PPGCA, da UNIFA, de forma conjugada com o CCEM. Ao final do segundo ano do CCEM, os alunos que se interessarem pelo mestrado podem fazer a seleção e, após o desenvolvimento da dissertação, obter o grau de mestre, em um programa credenciado pela CAPES/MEC.

Alunos do CCEM em curso que passará por mudança

Na nova estrutura, os demais alunos do CCEM que não tiverem aptidão para o mestrado, cursam, no período, uma especialização em Ciências Aeroespaciais. “Para 2019, sincronizamos os calendários do PPGCA com o da ECEMAR. A ideia é que, enquanto os alunos do CCEM realizam a nova especialização em Ciências Aeroespaciais, os voluntários para o mestrado cursam o mestrado juntamente com outros militares que passaram no processo seletivo em 2018”, explica o Pró-Reitor de Pós-Graduação e Pesquisa, Coronel Aviador Hudson Ávila Diniz.Com relação à questão pedagógica, a principal transformação é que a metodologia passa a ser participativa. “Estamos investindo pesadamente no centro de educação à distância, que tem o objetivo de integrar os currículos.

 

A Metodologia Científica e Produção textual no CAP,  por exemplo, é a mesma que será aplicada no CCEM, exigindo uma participação mais ativa do aluno. Nessa metodologia, o aluno sai da postura passiva e passa a discutir entre os colegas e o professor se transforma em um facilitador da aprendizagem. É uma quebra de paradigma no ensino”, avalia o Brigadeiro Ricardo.

Cel Flávio de Oliveira fala sobre novos desafios nos cursos da ECEMAR
Para o Chefe da Divisão de Ensino da ECEMAR, Coronel Aviador Flávio Luiz de Oliveira Pinto, “essa metodologia não vai exigir uma mudança cultural muito grande, uma vez que o corpo discente da ECEMAR possui experiência pregressa para compartilhar ideias em grupo e já está habituado a tomar decisões e a desenvolver pensamento analítico, essencial no curso de oficiais superiores”.
Além do CCEM presencial, outro curso será o Semi-Presencial, que ocorre nas áreas da saúde – Curso de Gestão Hospitalar (para Médicos, Dentistas, Farmacêuticos, Engenheiros Especialistas) em EaD – , e que depois reúne as turmas da saúde com os demais alunos do CCEM na segunda etapa do curso CCEM presencial, nas disciplinas de formação militar, como Doutrina, Emprego da Força e Exercícios Simulados de Guerra.A criação do CAEMOutra modificação é a criação do CAEM, em substituição ao CPEA, destinado a preparar o oficial a desempenhar funções de alto-comando, hierárquicas e no nível estratégico.

Na reformulação, o CAEM, realizado em um ano, passa a ser composto de três etapas. A primeira é a realização do estágio intensivo sobre Política e Estratégia Aeroespaciais. A segunda é a etapa de realização conjunta do curso com as três forças, o que pode acontecer na Escola Superior de Guerra (ESG), numa escola congênere ou no exterior. E a terceira fase é um curso de extensão em “Alta Gestão Executiva”, em EaD. A alteração significa o primeiro passo com a interoperabilidade, de maneira conjunta com outras Forças e, ao final, o oficial recebe o certificado dos dois cursos (CAEPE e CAEM).Na próxima reportagem da série, entenda como o projeto de reestruturação do ensino vai afetar a Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais da Aeronáutica (EAOAR).

Veja no  vídeo os principais pontos da reestruturação na ECEMAR.

Fonte: Agência Força Aérea, por Aspirante Raquel Timponi