Empresas devem enxergar novas tecnologias como complementares e agregá-las com harmonia aos processos corporativos, aponta estudo da Deloitte

    ° Tech Trends aponta tendências-chave que podem ter impacto sobre as estratégias e os resultados das organizaçõe

    ° Documento indica também como as empresas líderes enxergam além dos processos tradicionais para alavancar o uso das novas tecnologias em toda a organização.

     À medida que as atuais tecnologias disruptivas – como a automação, a computação cognitiva e a inteligência artificial – ganham relevância, as empresas e seus gestores devem enxergar essas forças como complementares, adotando-as e incorporando-as harmonicamente aos tradicionais processos produtivos e corporativos. É o que indica o estudo Tech Trends 2018: The Symphonic Enterprise, mais recente versão do relatório anual produzido pela Deloitte que aponta tendências emergentes em tecnologias empresariais.

    O estudo destaca oito tendências-chave que podem ter impacto sobre as estratégias e os resultados dos negócios. O tema destacado neste ano, The Symphonic Enterprise, é uma ideia que envolve estratégia, tecnologia e operações atuando em conjunto, harmoniosamente, passando por todas as áreas das organizações.

    “As empresas podem precisar, por exemplo, repensar os papéis de sua força de trabalho, atribuindo algumas atividades às pessoas, outras às máquinas e uma terceira parcela delas a um modelo híbrido, em que a tecnologia amplifica o desempenho humano. Dessa forma, gerenciar pessoas aliadas às máquinas acaba se tornando um novo desafio à gestão dos recursos humanos”, afirma Fabio Pereira, sócio da área de Tecnologia, Estratégia e Arquitetura da Deloitte Brasil.

    Entre as tendências apresentadas no relatório deste ano, os principais destaques são:

    • Realidade digital: representa a próxima fase da realidade aumentada e da revolução da realidade virtual;

    • “Nova classe” de trabalho: discute as estratégias de recursos humanos para gerenciar ambientes nos quais humanos e máquinas atuam conjunta e complementarmente;

    • Novo núcleo: examina como as principais funções das áreas de finanças e da cadeia de suprimentos estão sendo repensadas diante da convergência digital e da ruptura dos limites operacionais tradicionais.

    Além dessas três tendências, o relatório detalha os temas: Tecnologia de reengenharia; Soberania de dados empresariais; Blockchain para blockchains; “API indispensável” (application programming interface, ou interface de programação de aplicativos); e Lista de tecnologias exponenciais.

    Em relação ao último item (Lista de tecnologias exponenciais), o levantamento Tech Trends 2018 aborda estratégias para que as empresas possam explorar e aproveitar ideias de inovação que eventualmente não vão se manifestar nos próximos cinco anos ou depois. Ele também explora duas tendências tecnológicas de longo prazo: inteligência geral artificial e criptografia quântica.

    “Acompanhar as tendências tecnológicas não é mais um papel exclusivo do CIO (chief information officer) ou do CTO (chief technology officer). Tornou-se tema para todo o corpo diretivo, para o CEO (chief executive officer, presidente das organizações) e até para todo grupo de gestores”, diz Bill Briggs, CTO da Deloitte Estados Unidos. “Percebemos muitas organizações com visão de futuro abordarem as mudanças disruptivas de maneira mais estratégica. Em vez de lançarem iniciativas separadas e específicas para as áreas, estão pensando na exploração de possibilidades, aproveitando experiências já desenvolvidas para uma implantação mais holística nas organizações. Cada vez mais, estão focadas em como as múltiplas tecnologias disruptivas podem operar conjuntamente para gerar impacto significativo e mensurável em toda a empresa.”

    Para destacar a relevância de algumas das principais tendências, o estudo detalhou parte daquelas que podem gerar mais desafios e oportunidades para todas as indústrias nos  próximos dois anos:

    • “Nova classe” de trabalho: o aumento da automação, o uso da inteligência artificial e das tecnologias cognitivas afetará diretamente os empregos e as famílias de empregos. As empresas do futuro devem reforçar a gestão de talentos voltada para o novo perfil de força de trabalho híbrida, que envolve pessoas e máquinas – atuando simultaneamente na recapacitação desses “trabalhadores aprimorados” e na adoção de processos inovadores de gestão de recursos humanos para o gerenciamento dos “trabalhadores virtuais”.

    • Blockchain para blockchains: blockchain está se movendo rapidamente da fase de experimentação para cenários críticos e reais do negócio. Experiências que envolvem o uso avançado e a maior adoção dessa tecnologia impulsionam a necessidade de coordenar, integrar e orquestrar várias iniciativas de blockchain dentro de uma grande organização, potencialmente estruturadas em múltiplas cadeias e envolvendo a empresa como um todo.

    • Realidade digital: na próxima fase da realidade aumentada e da evolução da realidade virtual, empresas manterão menos o foco na novidade dos dispositivos e passarão a se concentrar no desenvolvimento de estratégias e experiências impactantes de uso empresarial. À medida que essa tendência avança, líderes de TI atuarão para enfrentar desafios persistentes na integração de base, na implantação da tecnologia em nuvem, na conectividade e no acesso.

    “As velhas linhas que regiam os negócios estão embaçadas”, explica Briggs. “Ao invés de se pensar nas linhas verticais da indústria e de negócios e nas linhas horizontais dos processos ou das tecnologias, estamos entrando em um mundo de diagonais – que transcende o alcance técnico e os limites organizacionais tradicionais. Essas tendências tecnológicas permitem uma forma totalmente nova de resolver problemas e de descobrir oportunidades de negócios. A ‘empresa sinfônica’ é unificada; é uma colisão controlada de tendências com estratégia, tecnologia e operações, trabalhando em harmonia para imaginar o amanhã e chegar lá a partir das realidades de hoje”, conclui o executivo.

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