A Embraer vem implementado, neste segundo semestre, uma série de ajustes para adequar a produção à menor demanda mundial por aeronaves, especialmente na aviação executiva. Entre Programa de Demissão Voluntária (PDV) e afastamento sem remuneração (“lay off”), a companhia sinalizou cortes de 3,5 mil profissionais em dois anos, ou 21% da força de trab alho aqui no país.

Em outubro, a Embraer aceitou a inscrição de 1,5 mil trabalhadores ao PDV que ficou aberto no terceiro trimestre. Para fazer frente aos custos desse programa, a empresa fez uma provisão de R$ 384,4 milhões no balanço do terceiro trimestre.

embraer_10_16

Foto Fabrica Embraer

Depois, no dia 10 de novembro, a Embraer anunciou o plano de suspensão temporária de contrato de trabalho com objetivo de afastar. Esse “lay off” pretende atingir até dois mil empregados, de forma alternada, de janeiro de 2017 a dezembro de 2018.

Até setembro, a fabricante brasileira acumula receita de US$ 4,2 bilhões, para uma meta estabelecida pela companhia para este ano que fica entre US$ 5,8 bilhões e US$ 6,2 bilhões.

Essa meta originalmente visava uma faixa de US$ 6 bilhões a US$ 6,4 bilhões, mas foi cortada por causa da menor demanda por aviões executivos, segmento no qual a empresa passou a prever a entrega este ano de 70 a 80 jatos leves e de 35 a 45 jatos grandes.

Na quinta-feira da semana passada, os metalúrgicos da Embraer aprovaram a proposta de reajuste salarial de 5% mais abono de R$ 4 mil, mas reivindicaram a redução da jornada para 40 horas semanais. O corte na jornada é a alternativa do sindicato ao plano apresentado pela companhia para suspensão temporária de contrato de trabalho.

Atualmente, a Embraer pratica uma jornada de trabalho de 43 horas semanais e possui 13 mil trabalhadores em São José dos Campos. “O Sindicato se posicionou contra o reajuste de 5%, que ficou muito abaixo do que era reivindicado pela categoria (11%). Mas respeitamos a democracia operária, em que os trabalhadores decidem”, afirmou o vice-presidente d o sindicato, Herbert Claros.

O reajuste aceito será aplicado aos salários a partir de 1º de janeiro, enquanto o abono será pago já em novembro.

A companhia brasileira se comprometeu a estender o reajuste e abono aos trabalhadores que aderiram ao PDV (Plano de Demissão Voluntária), finalizado em outubro, que teve a adesão de 1,5 mil empregados.

As negociações entre o Sindicato dos Metalúrgicos e a Embraer sobre a abertura do plano de suspensão temporária de contrato de trabalho nas fábricas de São José dos Campos continuam amanhã.