O governo brasileiro está questionando, na Organização Mundial do Comércio, subsídios de US$ 2,2 bilhões dados pelo governo canadense à fabricante de aeronaves Bombardier, principal rival da brasileira Embraer em seu mercado. Segundo informa o jornal O Estado de S. Paulo, a reclamação se dá pelo Canadá não ter notificado o órgão internacional de suas ações em relação a produção e exportação, como deveria fazer segundo as regras da OMC.

É mais um capítulo em uma série de brigas envolvendo as quatro principais empresas do setor – quadro que inclui, além da brasileira e da canadense, a francesa Airbus e a norte-americana Boeing –, que muitas vezes recorrem a incentivos estatais para impulsionar seus negócios. Desta vez, o governo brasileiro protocolou uma série de perguntas aos canadenses na OMC, e pode dar início à primeira grande disputa comercial do governo Michel Temer.

A queixa brasileira ganhou apoio dos Estados Unidos, ao menos aparentemente. Durante o encontro do órgão em Genebra (Suíça) em que o Brasil apresentou suas reclamações, o governo norte-americano mostrou simpatia à causa, dizendo que está “ ‘preocupada” com o apoio dado pelas autoridades canadenses para as exportações de seus jatos da Bombardier e para o desenvolvimento de novos modelos”, segundo oEstadão.

O apoio dos Estados Unidos coincide com o momento em que a Embraer aceitou colaborar com o governo do país na apuração de denúncias de corrupção envolvendo negócios feitos no Exterior. Além disso, o questionamento também pode beneficiar indiretamente a Boeing, na medida em que tire mercado de uma concorrente de grande porte. A preocupação de ambos os países cresce na medida em que o Canadá indicou também a possibilidade de um novo aporte à Bombardier, no valor de US$ 750 milhões.

De seu lado, o governo canadense afirma que está estudando como responder aos questionamentos e que não viola regras internacionais do comércio. Parte das respostas, segundo eles, caberia ao governo local de Quebec, que é responsável por uma fatia dos subsídios.