*Por Mariane Guerra

Quando falamos em globalização no universo corporativo, naturalmente pensamos em empresas expandindo seus negócios, implementando novas tecnologias aos seus processos e estimulando a integração de seus empregados com outras realidades e culturas. Porém, diante desse cenário, não podemos deixar de questionar: será que todas as companhias estão realmente aptas a fazer esse movimento e fincar sua bandeira em novos territórios?

Não existe uma receita pronta para avaliar a maturidade de uma corporação que decide dar esse passo, mas uma coisa é certa – a partir do momento da decisão, os desafios pela frente serão muitos. E uma das formas mais eficientes de começar a superá-los é olhar mais profundamente para área de Recursos Humanos, pois é a partir dela que serão reunidas informações valiosas sobre as engrenagens dos negócios e de cada colaborador que forma esse ecossistema. Mas é fundamental ter em mente que, em uma gestão global, as demandas são mais amplas e complexas.

Porém, muitas vezes nem a equipe nem os sistemas possuem abrangência global, fazendo com que a companhia em questão não esteja apta para essa nova investida. Aqui faço um convite – imagine a área de gestão de uma empresa presente em mais de um país. Não é simples administrar diferentes burocracias, culturas, legislações e práticas internas. Não tenho dúvidas que integrar pessoas e processos diferentes gere grandes oportunidades, mas é preciso estar preparado, ter pessoas experientes e soluções robustas, capazes de suportar essa operação.

O segredo de um trabalho efetivo e bem-sucedido está, antes de tudo, na compreensão detalhada de como cada território funciona, por meio de projetos localizados e, a partir daí, avançar para os cruzamentos e integrações. Na era do Big Data, imagine quantas informações o departamento de RH não poderá recolher e, com isso, ter total visão das necessidades de cada colaborador, processo e operação de suas unidades? O detalhamento certamente será rico e trará possibilidades imensas. Como conseguir isso? Por meio da utilização de um sistema que atue globalmente, permita essa transparência e otimize as integrações.

E é entendendo essa demanda que a Constellation Research concluiu, na recente pesquisa “Demystifying the Secrets of Global Human Resources”, que “a adoção de um software global de Recursos Humanos irá crescer nas empresas assim que seus líderes entenderem as vantagens da utilização de uma solução abrangente”.

Se esse é um desafio, a hora de agir é agora!

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Listo, abaixo, as principais características de um RH global que permitem a agilidade nos negócios, segundo a pesquisa:

1.Serviços “self-service” estão disponíveis para te ajudar: muitas vezes pensamos que uma ferramenta self-service significa o preenchimento infinito de planilhas, mas a próxima geração de software para RH age ao pé da letra: com respostas rápidas, dados importantes obtidos no momento oportuno e esforço reduzido das equipes. Ou seja, trabalhar com um público maior fica mais fácil;

2.A velocidade dos processos motiva e empodera os colaboradores: o “fazer acontecer”, segundo a Constellation, é um dos principais motivadores de engajamento aos colaboradores de uma empresa. E com um sistema com feedback mais ágil, os problemas também são resolvidos da mesma maneira;

3.A personalização elimina a frustração: práticas recorrentes do dia a dia do RH se tornam frustrantes quando um colaborador precisa se registrar ou inserir informações de login e senha repetidamente. Um sistema global, atualmente, “compreende” quem está interagindo com ele, criando um acesso personalizado e, ao mesmo tempo, entregando a informação que ele precisa;

4.A experiência do usuário otimiza o trabalho do RH: caminhando de acordo com o ponto anterior, a experiência do usuário dos sistemas globais têm um nível de satisfação equivalente àquele de smartphones e dispositivos móveis, ou seja, são intuitivos e engajam os colaboradores a continuarem a explorá-lo;

5.Interatividade com documentos de alta frequência otimizam a experiência do usuário: da mesma maneira que o uso de soluções globais no RH precisa ser intuitiva no dia a dia, seu uso na administração de documentos frequentes do departamento exigem a mesma capacidade. Dois exemplos são as folhas de pagamento e a declaração de benefícios;

6.Folhas de pagamento e declarações de benefícios interativas engajam e empoderam os colaboradores: ao invés de receberem um documento em PDF repleto de números, os sistemas globais otimizam o contato do colaborador com a folha de pagamento. Desta maneira, ao se tornarem “intuitivos”, eles passam a explicar exatamente o porquê de cada valor registrado. No caso dos benefícios, pode-se consultar qual será o pagamento total projetado, e quais serão as despesas para o decorrer do ano, por exemplo;

7.A satisfação dos colaboradores fala por si: o custo-benefício desse tipo de inovação ao RH é respondido pela satisfação de cada colaborador e pela facilidade adquirida em seu dia a dia. Segundo a Constellation, a resposta está na conquista de maior tempo hábil para a realização de outras tarefas que não sejam meramente burocráticas. Segundo o estudo, “economizarão menos uma hora de trabalho de cada pessoa em um mês gasta usualmente em tarefas relacionadas ao RH significa aumento a experiência do usuário e também na receita de vendas”.

Portanto, chegou o momento de otimizar o trabalho do RH, facilitar o acesso dos colaboradores às informações e investir em soluções que atuam como verdadeiros facilitadores da rotina das empresas, imprimindo transparência em seus processos, melhorando gestão e compliance. Preparar a empresa para o amanhã é questão de sobrevivência. A revolução digital torna o mundo mais globalizado a cada dia e ficar de fora desse movimento não pode ser uma opção.

​*Mariane Guerra é vice-presidente de Recursos Humanos Latam da ADP