Por Roberto Júnior

18 de Julho de 1967, começou não tão bem para o Ex-presidente do Brasil, Castelo Branco. O Piper Aztec
do Governo do Estado do Ceará, havia se atrasado bastante, devido ao mau tempo na capital e a Rural
Willys, que o levaria até a pista de pouso, enguiçou no caminho o deixando a esperar pelo conserto;
Resolvido os problemas, Castelo, que tinha feito uma visita a sua parente, Rachel de Queiroz, escritora de
grande prestigio, enfim, embarcaria no PP-ETT, saindo de Quixadá, com rumo a capital cearense, não
sabia ele que o destino não o permitiria completar a viagem.
Após voltar de uma temporada na Europa, Castelo Branco, decidiu respirar os ares do interior, iria a
Quixadá, visitar familiares, o pequeno Piper havia sido ofertado para a viagem, mas ele recusou com
receio do que a imprensa iria falar, sendo assim, tomou assento em uma locomotiva da R.V.C e foi no
balanço e atraso do trem, até a cidade já citada, tal empresa arruinou a já complicada coluna de Castelo,
que sofreu bastante na viagem e por esse motivo, preferiu voltar a capital de avião.

Acidente-Aéreo-Mata-Castelo-BrancoComandado por Celso Tinoco Chagas, piloto experiente, com mais de 26 mil horas de voo, o Aztec sairia
de Quixadá, com razoável lotação, fora “Mestre Celso” e seu filho, Emilio Celso Chagas, que iria de coopiloto
e seria o único sobrevivente do acidente, o avião ainda levava, o ex-presidente, a escritora, Alba
Frota, o irmão de Castello, o Sr. Cândido Castello Branco e o Major do Exército Manuel Nepomuceno Assis;
A viagem ia bem, o céu de brigadeiro em Quixadá fazia gosto de ver, tanto que Castello pediu ao piloto,
para que voasse em baixa altitude, para que fosse reconhecendo a paisagem, chegando nas proximidades
de Fortaleza, o piloto anunciou a radio sua aproximação e pediu autorização para pouso, que ocorreria
em questão de minutos, autorizado, Mestre Celso, começou a reduzir a altitude da aeronave, porém, a
radio, esqueceria de avisar que 4 jatos da FAB, do tipo, Lockheed T-33, havia saído a poucos minutos para
voo de instrução, segundo consta, Castello, pediu que sobre voassem uma obra que estava ocorrendo nas proximidades, porém, a área de voo era restrita para treinamentos da FAB, foi fatal, um dos quatro T-33, o de número 4325, pilotado pelo aspirante Alfredo Malan d’Dagrogne, que por sinal, era filho de um amigo de Castello, colidiu com a cauda do avião, que imediatamente perdeu o controle e após descida em espiral se chocou com o solo, o impacto foi suficiente para fazer com que a aeronave subisse dois metros de altura e tornasse a se espatifar no chão, Castello, morreu na hora, fraturas expostas nas pernas, coluna esfarelada e afundamento craniano, o
estado do ex-presidente era realmente complicado, os outros ocupantes também ficaram em situação
parecida, Mestre Celso, ainda foi socorrido, mas não resistiu a gravidade dos ferimentos.

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O Lockheed ainda conseguiu voltar a base, foi decretado luto oficial de 8 dias e após a poeira baixar, um
inquérito foi instaurado, mostrando inúmeros erros na ações pós-acidente, o que deixou um clima
conspiratório no ar, o avião foi levado a BAFZ e lá ficou, até que no começo dos anos 2000, foi
completamente reformado e assim como o T-33, se encontra em exposição.

 

Fonte: Aviadores do Cariri