Depois de atravessar 2016 em baixa, o mercado de aviões agrícolas se reaqueceu em 2017, com as principais fabricantes que atendem o mercado brasileiro chegando a faturar mais do que o dobro do que no ano anterior. Com isso, pelo menos perto de 40 novos aviões agrícolas devem ser acrescentados à frota aeroagrícola nacional até dezembro. Entre as causas desses bons ventos, boas chuvas no campo e dólar estável, além de novidades entre os produtos ofertados.
No caso da Embraer, a expectativa é de entregar entre 15 e 20 aeronaves este ano. A empresa, que detém mais de 60% do mercado no setor, aposta também no sucesso do Ipanema 203, que entrou em operação há pouco mais de um ano, como a mais nova geração do modelo produzido há 45 anos.
Conforme o diretor da Unidade Botucatu da Embraer, Alexandre Solis, 2017 apresenta um cenário de retomada para o mercado agrícola de forma geral. “Clima mais favorável, custos mais estáveis, aumento da demanda, créditos para investimentos e o aumento da confiança do produtor rural são fatores que devem ser refletidos nos números de crescimento do mercado”, aposta.

ESTRANGEIRA
Já a norte-americana Air Tractor, principal fornecedora entre as marcas estrangeiras, teve 18 aeronaves vendidas no Brasil em 2017, contra 11 comercializadas no ano passado. Na verdade, segundo o diretor da empresa Aeroglobo – represente da Air Tractor para toda a América do Sul, Luiz Fabiano Zaccarelli Cunha, foram 20 aeronaves comercializadas, mas duas foram para a Argentina. Segundo ele, o reaquecimento das vendas veio na carona de um dólar estável em um bom patamar e das chuvas do ano passado.

Há um tempo atrás, o dólar andava na casa dos R$ 4,00 ou R$ 4,20, o que complicou as vendas. Nas safras 2014/15 e 2015/16 houve poucas chuvas, o que freou a produção. “Já no ano passado houve uma chuva boa e o pessoal precisou de aviões, só que ninguém tinha se planejado. Este ano, já vieram logo atrás de nós”, explica Cunha. Além disso, a fabricante norte-americana também está com um produto novo no Brasil: acabou de homologar o AT-502B XPower, com motor mais potente e mais econômico. “A primeira entrega será no dia 12 de agosto, em Cuiabá/MT.”

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Oportunidade com a tercerização dos serviços

Porém, se o retrospecto mais longo e uma espiada atual no mercado dão uma dica do quanto a aviação agrícola pode crescer, por outro lado cada vez mais o setor precisa fazer o tema de casa sobre um planejamento estratégico. A frota brasileira cresceu 44% em quase 10 anos, a uma média de 5,5% ao ano desde 2008. O número de aeronaves turboélice na frota brasileira aumentou 300% entre 2008 e 2014 e, mesmo assim, a Embraer (que trabalha com motores convencionais e tem sua vedete no avião a etanol) não perdeu a hegemonia de 60% da frota. Paralelamente, a aviação ainda responde por entre 25% e 30% das pulverizações feitas no País, segundo estimativas do Sindag.


E aí, segundo a dica do economista-chefe da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Antônio da Luz, a oportunidade para os setor aeroagrícola pode estar no incentivo à terceirização por parte do produtor rural. “Na perspectiva do agronegócio, deverá haver um aumento muito grande no consumo mundial de alimentos. O que significa uma oportunidade muito grande para o País.” Porém, segundo ele, para que isso ocorra é preciso uma produção competitiva, que é onde o País peca.

“Somos competitivos porque aceitamos margens de lucro baixas. Só que os custos estão aumentando e as receitas não estão acompanham esse aumento.” O que para os operadores aeroagrícolas, acaba sendo uma oportunidade. “Um dos pontos nevrálgicos é o custo de pulverização, o que abrange desde o produto até a aplicação”, assinala Luz. Para produtores que têm seus próprios equipamentos de pulverização, há (para os equipamentos) um custo de manutenção elevado e um custo fixo também muito alto, o que pode contribuir para as perda de competitividade.

“Então, para os produtores, o serviço terceirizado, como na aviação, pode ser uma forma reduzir muito o custo de produção. Bom para o negócios e para competitividade do País.” Mas, conforme o economista, é preciso levar para aos produtores essa possibilidade, com articulação com as entidades de produção, entre os operadores e outros atores.