Boeing/Embraer – polêmica segue no ar

    A negociação entre a norte-americana Boeing e a brasileira Embraer não seria apenas na área de aviação comercial, mas poderia abranger também os projetos militares. A informação foi divulgada pelo jornal Folha de São Paulo, que teria como fonte pessoas ligadas á negociação. A matéria saiu na última terça-feira (dia 2). Segundo a Folha, apesar do tema ser politicamente sensível, a Boeing deve apresentar modelos de parcerias com garantias para os segredos militares – como ocorre com empresas inglesas e australianas.

    A ideia, nesse caso, é de que a empresa norte-americana pudesse suprir deficiências em seu portfólio de produtos e tecnologias e o mesmo ocorreria com a Embraer. Se valesse essa linha (observação do Sindag), como a estrangeira domina a tecnologia aeroespacial e comunicações, ela poderia aprimorar os sistemas embarcados no modelo Ipanema, de aviação agrícola. Em contrapartida, poderia também ajudar e melhorar o avião brasileiro e utilizar tecnologias dele para operar em um setor onde só esteve presente nos anos 50, com a adaptação dos velhos Stearman – biplano de treinamento militar adaptado para o trabalho aeroagrícola depois da 2ª Guerra Mundial.

    Mas isso por enquanto é apenas especulação, em um assunto ainda bastante nebuloso. E preocupante, já que a Embraer domina cerca de 60% do mercado aeroagrícola nacional.

    O assunto vem causando alvoroço no mercado aeronáutico e também no meio político, já que a Embraer desenvolve tecnologia nacional para a área de defesa e o medo é que a negociação significasse repasse aos Estados Unidos de segredos brasileiros nessa área. Sem falar nas críticas à venda de uma das principais empresas brasileiras, o que diminuiria a independência do País em um mercado estratégico. O tema chegou a ter manifestações até do Sindicato dos Metalúrgicos de Botucatu/SP – onde funciona a divisão do modelo Ipanema da Embraer.

    Inicialmente, o interesse da Boeing pela Embraer teria ocorrido depois que a francesa Airbus, principal concorrente da gigante norte-americana, adquiriu a canadense Bombardier. Em resposta, a Boeing estaria tentando adquirir parte ou o controle da brasileira para aumentar seu portfólio de jatos de passageiros ou executivos, como anunciou o jornal norte-americano The Wall Street Journal. A informação provocou reação do governo brasileiro, que anunciou que usaria seu poder de veto à negociação, caso houvesse risco para a soberania nacional.

     

    1 COMENTÁRIO

    1. Claro que há muita coisa envolvida nessa negociação que a mídia ainda não conseguiu captar para nos apresentar, mas uma coisa é certa: tudo isso não passa de uma estratégia da Boeing e da Airbus para se manterem na liderança do fabrico de aeronaves no mundo e manter esse “duopólio”. A Bombardier e a Embraer são as duas fabricantes atualmente no mundo que podem trazer alguns transtornos para a dupla poderosa. Ao meu ver , no mundo atual, não se pode ficar isolado no mercado e negar as parceiras com outras empresas,mas isso pode ser feito com critérios de parcerias e não de absorção de uma empresa por outra. Penso que a Embraer não deveria no momento aceitar nenhum tipo de fusão ou venda para uma concorrente.

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