Aproveitando o momento de crise para ampliar seus estudos

    Por Denis Bianchini.

    Tempos de crise e de poucas movimentações no mercado de trabalho podem ser um bom momento para você ampliar e aperfeiçoar os conhecimentos na sua área de atuação, no caso, a aviação. Esse aprimoramento vai refletir diretamente no seu curriculum e consequentemente aumentar as suas chances durante um processo seletivo.

    Como resultado dos diversos trimestres seguidos de PIB negativo em nosso país, o mercado de trabalho na aviação, assim como tantos outros, ficou com um excesso de profissionais. Ora, com empresas aéreas reduzindo a frota, proprietários devolvendo suas aeronaves executivas e aeroclubes e escolas de aviação voando menos, temos mais pilotos procurando uma colocação no mercado de trabalho.

    Como você pode presumir, há mais pilotos do que o mercado é capaz de absorver, logo, as exigências das empresas que iniciam os processos seletivos será maior. Não tem como fugirmos da Lei da oferta e demanda.


    Se as exigências passam a ser maiores, o que você pode fazer para aumentar as suas chances de ser selecionado e aprovado num processo seletivo numa empresa aérea, num emprego na aviação executiva ou geral?

    Vamos começar pelas habilitações e licenças. Para praticamente todas as seleções, seja para taxi aéreo, aviação executiva ou comercial, você tem que estar com as suas habilitações e CMA válidas. A maioria das seleções exige que o piloto tenha as habilitações de MULTI/IFR. A licença de Piloto Comercial é obrigatória, visto que a licença de Piloto Privado limita-se a atuar, sem remuneração, como piloto em comando ou segundo em comando de aeronave da categoria apropriada à sua licença e que realize voos não remunerados e sem qualquer tipo de aproveitamento comercial. Em alguns processos seletivos o PLA teórico e o Jet Training também são requisitos.

    Em seguida vem a famosa “prova ICAO”, outro item cada vez mais frequente nos requisitos mínimos de um processo seletivo. O Teste de Proficiência Linguística da ICAO (denominado pela ANAC de Santos Dumont English Assessment (SDEA)), nada mais é do que um exame de pouco mais de 30 minutos, onde o piloto tem o seu inglês avaliado durante uma conversação sobre diversos temas relacionados a operação aérea e a aviação em si. A nota varia de 1 a 6, sendo o nível 4 o mínimo para que o piloto de fato esteja aprovado e apto, pelo menos no que diz respeito aos conhecimentos da língua inglesa aplicada à aviação, para operações aéreas envolvendo aeronave civil brasileira fora da jurisdição do espaço aéreo brasileiro. Atualmente a ANAC não está concedendo o nível 6.

    Recentemente recebi um texto no WhatsApp onde constava os pré-requisitos para a seleção de instrutor de voo de “Paulistinha” num aeroclube nos rincões do país, onde um dos requisitos era ter no mínimo o ICAO nível 5. Claro que se tratava de uma brincadeira sobre o tema em voga, mas com certo fundo de verdade, pois atualmente quase todas as seleções têm em seus pré-requisitos o ICAO nível 4, inclusive para empregos onde muito provavelmente não serão realizados voos para o exterior.

    Nos últimos anos o inglês vem sendo um dos quesitos mais cobrados, por este motivo resolvi discorrer sobre o tema de forma tão enfática. Já vi inúmeros colegas com milhares de horas de voo, e muito bem preparados tecnicamente, não sendo aprovados justamente por não terem o ICAO nível 4. Não acho pertinente entrar no mérito da questão, mas já que sabemos como é a regra do jogo atualmente, nada mais prudente do que estudar a língua inglesa, algo determinante para a sua ascensão profissional.

    E por último, mas não menos importante, destaca-se o conhecimento dos diversos temas relacionados à operação aérea. Da performance da aeronave aos regulamentos de tráfego aéreo, os temas cobrados nas provas iniciais de um processo seletivo costumam abranger este tipo de conhecimento. E como estudar esse assunto? Sugiro a leitura de livros técnicos, da legislação brasileira e também dos livros e manuais da FAA (entidade dos EUA responsável pela aviação civil naquele país). Estas publicações americanas estão disponíveis gratuitamente no site daquela instituição. O estudo através do conteúdo da FAA traz dois importantes benefícios: a familiarização com os termos aeronáuticos em inglês e o aprofundamento em questões técnicas que muitas vezes não são abordadas nas literaturas nacionais.

    Muito bem pessoal, agora é com vocês! Aproveitem o tempo livre para estudar e se preparar para os processos seletivos que virão, desta forma, além de aprimorar os seus conhecimentos também haverá um acréscimo significativo da confiança durante as provas e entrevistas.

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