Apreensivo, consumidor brasileiro adia planos de viagens à espera de um cenário econômico melhor e complica mais ainda a recuperação das companhias áreas.

     Ainda preocupados com a crise econômica, e diante de riscos como o de perder seus empregos, os consumidores brasileiros, em sua maioria,  estão apreensivos neste começo de ano e adiam para o segundo semestre seus planos de compras ou de gastos, à espera de uma melhora do cenário nacional. É o que mostra a enquete “Hábitos e tendências de consumo do brasileiro no início de 2017”, realizada pela Deloitte.

    De acordo com o levantamento, em questão aberta a múltiplas escolhas, 61% dos participantes da enquete afirmaram que vão postergar para o segundo semestre do ano possíveis gastos com viagens e com a troca de equipamentos eletroeletrônicos (como TV, smartphone, computador etc.).

    Com esse postergamento de intenção de gastos por parte dos consumidores impactará diretamente a recuperação do resultado financeiro e contábil das quatro maiores companhia áreas que operam no Brasil, que já apresentaram resultados ruins nos últimos anos.

    De acordo com o relatório apresentado pela ABEAR  AVIAÇÃO DOMÉSTICA ENCOLHE 5,5% EM 2016 E PERDE 7 MILHÕES DE PASSAGEIROS EM UM ANO

    No período de janeiro a dezembro de 2016, na comparação com o mesmo intervalo de 2015, a aviação doméstica brasileira registrou retração da demanda1de 5,47%, diminuição da oferta2 de 5,74% e um total de viagens 7,45% mais baixo(a soma de passageiros embarcados foi pouco superior a 87,6 milhões).

    Com a oferta recuando um pouco mais do que a demanda em 2016, o fator de aproveitamento dos voos teve leve alta de 0,23 ponto percentual, fechando em 80,14% de ocupação.  Os resultados são referentes à compilação das estatísticas das empresas integrantes da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (ABEAR) – AVIANCA, AZUL, GOL e LATAM.

    Viajar só em outubroVeja demais dados da pesquisa sobre a expectativa de consumo dos brasileiros;

    O segundo desejo de compra mais citado, e que ficará para mais tarde para 51% dos pesquisados, está relacionado à troca de eletrodomésticos (como geladeira, fogão e outras utilidades para o lar). A compra ou troca de carro vem em terceiro lugar na lista de desejos postergados para a segunda metade do ano (com 45% das referências).

    Alguns serviços também devem ser afetados pela cautela do consumidor, já que 41% dos 1.084 consultados pelo instituto IBOPE/Conecta-i afirmaram que vão protelar para o segundo semestre de 2017 os gastos previstos com cuidados pessoais (como academia e tratamentos estéticos, entre outros).

    O seguimento de consumo menos afetado, de acordo com a enquete, é o de educação, já que 34% dos pesquisados planejam deixar para mais adiante seus planos de gastar com cursos superiores, de línguas ou técnicos.

    “Percebemos que as pessoas têm muita vontade de que o Brasil volte logo aos trilhos. Mas, como já tínhamos percebido em nossa Pesquisa de Natal 2016, o consumidor segue cauteloso diante da crise renitente, inclusive com receio de perder seu emprego. É natural, então, que adie seus planos de compra, esperando uma melhora no cenário econômico”, avalia o responsável pela enquete, Reynaldo Saad, sócio-líder para a indústria de Bens de Consumo e Produtos Industriais da Deloitte Brasil.

    Para o executivo, o Brasil não alcançou o estágio de maturidade que se reflete em uma economia estável e bem estruturada. “O brasileiro levou um grande susto. Ele teve um vislumbre de melhora com o ‘boom’ consumista de alguns anos atrás, percebeu que aquilo não era sustentável e agora está sendo ponderado: ‘Preciso parar para pensar um pouco antes de gastar ou de me endividar’.”

    Segundo os dados da enquete, a maior parte dos brasileiros que participou do levantamento (37%) considera estar hoje em igual situação financeira à que estava no início de 2016. Para 27%, a situação pessoal do momento é pior do que há um ano. E, diante de doze meses ruins como termo de comparação, 34% dos participantes se veem atualmente em melhor situação do que no mês de janeiro anterior.

    Os fatores que mais influenciram a decisão de compra dos consumidores neste início de ano foram: o receio dos efeitos da crise econômica (citado por 94% dos participantes da enquete); cautela em relação à alta da inflação e/ou dos juros (91%); o fato de os pesquisados afirmarem que sempre economizam ou poupam parte ou todo o seu décimo terceiro salário (65%); e o receio de perder o emprego (com 44% das referências).

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    Descontos e preço baixo estimulam vendas

    A enquete “Hábitos e tendências de consumo do brasileiro no início de 2017” reforça que o brasileiro que pretendia comprar neste início de ano estava muito interessado em descontos e em preços mais baixos para efetivar suas aquisições. Em relação às grandes liquidações de começo de ano, 63% dos participantes destacaram que o fator “maior desconto para pagamento à vista” é o mais valorizado no momento da compra, seguido por promoções do tipo compre um e leve dois, com 44% de citações. Também as ofertas de produtos de mostruário com preços reduzidos atraíam a atenção de 31% dos consumidores.

    “Nesse ponto, o consumidor brasileiro recebeu um bom incentivo recentemente, com a publicação da MP (medida provisória) 764/2016, no final do ano, que autoriza os comerciantes a cobrarem preços diferentes para um mesmo produto, dependendo da forma de pagamento escolhida pelo cliente (com cartão de crédito ou de débito, dinheiro à vista, crediário e outras). A medida veio acabar com uma insegurança jurídica que atingia os varejistas, já que esse tipo de diferenciação na cobrança era oficialmente proibido, bem como se tornou um ótimo impulso para melhorar suas vendas”, explica Reynaldo Saad.

    Em relação ao canal de compras priorizado, dos 1.084 pesquisados, 48% afirmaram ter concentrado suas compras na Internet; enquanto que 47% priorizaram lojas físicas; e 5% disseram que sequer fizeram compras de Natal.

    Sobre a enquete

    A enquete “Hábitos e tendências de consumo do brasileiro no início de 2017” foi realizada pela Deloitte e aplicada, via internet, pelo instituto independente de pesquisas IBOPE/Conecta-i.

    O questionário online foi aplicado entre os dias 10 e 18 janeiro de 2017 a 1.084 pessoas de todo o Brasil, representando as diferentes classes sociais.

    Dentre os participantes, 51% eram mulheres e 49%, homens. O maior grupo (38% dos pesquisados) integra a chamada Geração X (de 31 a 44 anos); seguido pela Geração Y (35%, com idades entre 18 e 30 anos); 22% de Baby Boomers (45 a 60 anos); e 5% de pessoas com mais de 61 anos.

    Do total de participantes, 76% afirmaram estar trabalhando atualmente. No recorte por renda familiar, 44% pertenciam à classe “C” (de R$ 2.431 a R$ 6.480 ao mês); 30% integravam as classes “D” e “E” (com renda até R$ 2.430); 18% enquadraram-se nas classes “A” e “B” (de R$ 6.481 a R$12.150); e 8% declararam-se da classe “A+” (com ganhos mensais superiores a R$ 12.151).

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