A cada dia que lemos e estuamos sobre os caminhos e o futuro da tecnologia percebemos que o futuro do trabalho será sem carteira assinada e sem direitos trabalhista e com grande escassez de trabalho. Teremos que inventar o nosso próprio emprego.

A internet levou três décadas para se espalhar pelo mundo, mudando tudo ao seu redor, a nova fronteira tecnológica já começou sua revolução silenciosa e vem com um grande objetivo substituir parte dos cérebros humanos, da mesma forma como a Revolução Industrial substituiu os músculos.
Em 2007 a IBM apresentou o projeto inteligência artificial de Watson como um supercomputador capaz de aprender e conversar de igual para igual com humanos para substitui-los em diversas tarefas.

Um exemplo muito claro disso pode ser notado no novo turboélice avançado, o Cessna Denali, que foi construído com apenas 12 componentes utilizando a impressão 3D que elimina 845 peças no motor da aeronave. Anthony Aiello Vice-presidente da GE Aviation anunciou que a maior ênfase na nova tecnologia vai aumentar a confiabilidade e reduzir o custo e o peso dos futuros motores da fabricante. Além de diminuir drasticamente a quantidade de componentes e seu tempo necessário de fabricação.
Seguindo o mesmo caminho, uma equipe de pesquisas conseguiu reduzir os 900 componentes do motor turboeixo GE CT7 para apenas 16, obtendo ainda uma redução de 35% em seu peso. Além de uma maior eficiência de operação. Segundo estudos, peças que normalmente levariam de seis a oito meses para serem fabricadas exigiram somente um mês, quando construídas por meio de impressões em 3D. Atualmente, a GE Aviation ainda utiliza de modo limitado a tecnologia, como em injetores de combustíveis e proteções para o GE90.
“O maior emprego da impressão 3D representa a eliminação de milhares de operações de usinagem e de inspeção; bem como de centenas de plantas de qualidade e contratos de compra”, afirmou a fabricante que disse trabalhar junto com o FAA (Federal Aviation Administration) “para garantir que tudo que está sendo feito possa ser registrado para efeito de certificação a fim de satisfazer os mesmos padrões que as peças forjadas, soldadas ou usinadas”.

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As impressoras 3 D apenas começaram seus trabalho e a 4D já está em teste no Instituto de Tecnologia de Massachusetts, o MIT, onde pesquisadores imprimem objetos tridimensionais e depois observam enquanto a quarta dimensão – o tempo – assume o comando e os materiais programáveis se organizam automaticamente.

A inteligência artificial caminha para se tornar o maior pesadelo e terá impacto na natureza do trabalho humano”, avalia o filósofo americano Jerome Glenn, diretor-executivo e co-fundador do Projeto Millennium, organização sem fins lucrativos internacional dedicada a analisar e projetar cenários futuros.
As interações entre inteligências artificiais e a proliferação da nanotecnologia, da robótica e da automação poderão produzir um cenário de desemprego sem precedentes, avalia Glenn, que há quarenta anos faz projeções para instituições que trabalham com a produção e a difusão de conhecimento, os think tanks.

ARQUIVO 29/08/2016 CIDADES Aeronave experimental substitui helicóptero na inspeção de linhas da Cemig CREDITO DIVULGAÇÃO

ARQUIVO 29/08/2016 CIDADES Aeronave experimental substitui helicóptero na inspeção de linhas da Cemig CREDITO DIVULGAÇÃO

Aviação sem piloto

Aqui no Brasil temos já há vários exemplos de avião sem piloto, em um deles, a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) está testando um avião não tripulado para fazer manutenção preventiva de linhas de transmissão e de redes de distribuição, além de outros serviços hoje realizados por helicópteros.
O veículo aéreo não tripulado (vant) deverá reduzir riscos e custos, explica o engenheiro de tecnologia e normalização da Cemig, Maurício de Souza Abreu.
Nas inspeções tripuladas, os helicópteros voam bem próximos às linhas, o que aumenta o risco de acidentes e impede a realização do trabalho à noite. O novo equipamento poderia fazer inspeções noturnas, mas ainda depende de aval da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para operar em definitivo.
A tecnologia foi desenvolvida pela Cemig em parceria com a Fundação para Inovações Tecnológicas (FITec), com recursos advindos do Programa de Pesquisa e Desenvolvimento da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
O modelo foi feito usando materiais como fibra de vidro e fibra de carbono, tendo como medidas 3,8 metros de envergadura e 1,7 metro de comprimento. A velocidade pode chegar 140 km/h, com autonomia de voo de duas horas.

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Na aviação militar os drones já lideram alguns combates aéreos, isso é muito bom para a questão de poupar vidas de pilotos militares. Muitas das grandes pesquisas se iniciaram em guerras ou em tempos de guerras para depois ser transferidas ao cotidiano da humanidade. Por mais que já tenhamos conhecimento sobre o caminho da aviação sem piloto humano, podemos ter certeza de que as pesquisas já estão bem mais avançadas em relação ao que já foi anunciado por fabricantes e governos é um caminho sem volta.

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Projeto Millennium
Criado em 1996 a partir de uma iniciativa da Universidade das Nações Unidas e do Instituto Smithsonian, o Projeto Millennium busca conectar instituições e indivíduos para analisar perspectivas e definir estratégias capazes de resolver aos desafios globais de longo prazo, com transformações sociais, políticas, econômicas ou científicas. O projeto começou com duas dezenas de pensadores e hoje reúne cerca de 3.500 especialistas e profissionais de organizações, governos, universidades e empresas em 60 países.

No Brasil, o eixo está no Núcleo de Estudos do Futuro da PUC de São Paulo (NEF-PUC), Os estudos traçam propostas para enfrentar a escassez de empregos e podem servir como marco para compreender as mudanças e como agenda para melhorar o futuro.
O Projeto Millennium se baseia na realidade atual e passada. “Nós nos apoiamos em pesquisas para saber quais as possibilidades em medicina, engenharia e tecnologia. Também olhamos para mudanças sociais e tendências, como o crescimento demográfico e as taxas de criminalidade e mortalidade”, exemplifica Glenn.
Estão sendo elaborados três caminhos para o futuro do trabalho humano: o primeiro mantém o foco no ritmo atual de evolução, o segundo retrata um quadro mais sombrio e o terceiro projeta uma visão otimista, mas de fato nenhuma conclusão foi apresentada.

A China anunciou sua entrada em uma grande pesquisa para entender a engenharia do cérebro humano e sua conexão com as máquinas. União Europeia, Estados Unidos, Japão e Israel estudam os neurônios com o objetivo de controlar doenças mentais, mas também para nos tornar mais inteligentes. Microsoft e Google tentam criar cérebros artificiais. “Seremos integrados com a máquina, o que significa que podemos nos transformar em grandes gênios. Claro que isso traz ameaças, como a inteligência artificial assumindo o controle de sua criação”, afirma o diretor do Projeto Millennium.

O trabalho mental passará a ser cada vez mais operado pela máquina e temos que nos reinventar e buscar trabalhar com mais propósito e sentido.
As mudanças ocorrem muito rápido e as coisas se integram cada vez mais, isso tudo se iniciou com a internet e agora tende a evoluir cada vez mais com a inteligência artificial.

O homem levou dezenas de milhares de anos para passar do sistema agrícola para o industrial. A era da informação levou apenas dois séculos e a era pós-digital tem duração prevista de apenas 50 anos e deve concentrar uma quantidade de inovações avassaladora.
“Criamos organismos que não existem na natureza e nos próximos anos haverá muito mais disso. Já ensinamos o Facebook quem somos e do que gostamos, mas isso ainda é primitivo. Imagine criar um avatar com sua personalidade, ensiná-lo sobre seus interesses e programá-lo para buscar oportunidades enquanto você dorme”, afirma Glenn.

Mesmo no melhor dos cenários desenhados pelo Projeto Millennium, não haverá trabalho para todos. Em 2050 seremos 9 bilhões de pessoas, mas a força de trabalho deve ficar em 6 bilhões, sendo a metade desse universo de trabalhadores autônomos. Em todos os cenários de futuro esquadrinhados pelo Projeto Millennium haverá menos vagas. “É hora de dizer a verdade àqueles que não terão emprego: reinventem-se, vocês estão livres”, diz Glenn.
“Com a evolução da tecnologia da informação, cada um de nós está no centro de um universo com 3 bilhões de pessoas, o que abre perspectivas enormes de trabalho por conta própria”, aposta Glenn.