A Airbus e as engenhocas voadoras sem piloto

    Ao longo dos últimos doze meses temos conversado, escrito, lido e debatido sobre o futuro da aviação e da humanidade em relação ao mercado de trabalho e dentre os cargos que podemos dizer que entrará em extinção é o de piloto de avião.

    Comprovadamente as indústrias caminham para a produção de aeronaves autônomas, os avanços ainda são poucos difundidos por questões estratégicas e também por convencimento da sociedade de que toda a tecnologia está vindo para melhorar o ecossistema e a vida da humanidade.

    As indústrias apresentam pesquisas e dados que informam que 90% dos acidentes aéreos e de trânsito são por falha humana e não por falha de tecnologia e das máquinas, ou seja, eles já tem a prova de que a tecnologia vai salvar vidas e diminuir prejuízos.

    As indústrias da tecnologia, da aviação e automobilística, dentre outras, trabalham em conjunto em diversas frentes para unificação de processos e aproveitamento da evolução tecnológica e mão de obra especializada.

    O Projeto Vahana

    No início de 2016, o Projeto Vahana foi iniciado como um dos projetos mais avançados em parcerias do Grupo Airbus em Silicon Valley chamado A³ com a Vahana. O Objetivo do projeto para a Airbus é abrir as vias aéreas urbanas de forma previsível e controlada. Esse controle será totalmente tecnológico, os veículos poderão ir por terra ou pelo ar.

    Com esse projeto a empresa ajudará a aliviar o tráfego em cidades verticais. Através de um Ecossistema Automático de Vôo, a aeronave seguirá rotas predeterminadas e evitará obstáculos. Tudo enquanto se deslocam economicamente até e para as pessoas nas cidades.

    O objetivo da Airbus é pilotar um protótipo Vahana em tamanho real antes do final de 2017, ou seja, nos próximos 2 meses, e ter um demonstrador produtivo até 2020.

    Pop.Up, a engenhoca voadora

    Outro projeto da Airbus é o Pop.Up. O veículo Pop.Up combina a flexibilidade de um pequeno veículo terrestre de dois lugares com a liberdade e a velocidade de um veículo aéreo de decolagem e pouso vertical (VTOL), superando assim os domínios automotivo e aeroespacial.

    O modus operandi do Pop.Up é simples: os passageiros planejam sua viagem e reservam através de um aplicativo fácil de usar.

    O sistema sugere automaticamente a melhor solução de transporte – de acordo com o conhecimento do usuário, o tempo, o congestionamento de tráfego, os custos, as demandas de viagem, juntando o módulo de ar ou terra ou outros meios de transporte com a cápsula de passageiros e seguindo as preferências e necessidades dos mesmos.

    No coração do conceito está uma cápsula: projetada para acomodar passageiros. A cápsula se transforma em um carro da cidade, simplesmente acoplando ao módulo de terra, que possui um chassi de fibra de carbono e é alimentado por bateria.

    Com o congestionamento do tráfego projetado para aumentar enormemente até 2030, a Airbus e a Italdesign decidiram combinar seus conhecimentos de engenharia para abordar a melhor maneira de alcançar um sistema de mobilidade urbana sustentável, modular e multimodal – dando origem ao conceito Pop.Up.

    Nessas novas aeronaves, não são necessários pilotos ou co-pilotos. A Airbus acredita que a automação total é algo que minimizará os erros humanos e proporcionará maior segurança aos passageiros. Como escrevemos acima, a indústria já tem as pesquisas que justificam a utilização da tecnologia com substituição do piloto humano pelo robô.

    Segundo a Airbus, os últimos meses tem sido inspirador – nós levamos a entrega final de grandes componentes em grande escala (incluindo as asas, fuselagem, componentes de aviónica e atuadores) e iniciamos a integração de veículos em grande escala.

    Simultaneamente, a Cia está explorando os usos práticos da aeronave e lançando  para ajudar a compartilhar sua visão para um público mais amplo.

    Em junho, a equipe representava o projeto Vahana fez demonstrações em alguns lugares considerados  importantes.

    Vários membros da equipe foram para o Oregon para participar da cerimônia de inauguração do Pendleton Hangar, um novo hangar de 9,6 mil metros quadrados no aeroporto oriental Oregon Regional, que servirá como centro de testes de vôo de Vahana.

    Ele foi especificamente configurado para suportar Vahana, e será o primeiro ocupante do hangar. Este local foi escolhido entre inúmeros locais propostos e esperam continuar a parceria com os testes de vôo em escala completa ainda este ano.

    De acordo com as estatísticas atuais, os seres humanos devem enfrentar cerca de 15 bilhões de deslocamentos difíceis a cada ano, por conta da difícil situação da mobilidade urbana. Uma frota de milhões de Vahanas poderia aliviar ou possivelmente eliminar estas dificuldades, perdas de tempo e sofrimento.

    Para a Airbus, atualmente há uma tremenda oportunidade para ajudar a esculpir o caminho para o futuro. Atender apenas uma fração de um por cento desse mercado resultaria nas maiores taxas de produção de aeronaves na história – sem mencionar o tempo e a energia que irá economizar aos viajantes.

    Os desafios técnicos e regulatórios para vôos escaláveis ​​e acessíveis estão sendo solucionados de forma favorável para esse tipo de aeronave, que são:

    – A segurança da bateria e a densidade de energia são agora adequadas para aplicações no ar.

    – A aniônica de baixo custo e confiável está se tornando amplamente disponível, aproveitando décadas de desenvolvimento de veículos aéreos não tripulados (UAV).

    – A tecnologia de detecção e superação de obstáculos para permitir a decolagem e pouso seguro de aeronaves e evitar colisão de forma confiável durante o voo.

    – Recentes avanços na fabricação e montagem de compósitos automatizados mostram que veículos pequenos e leves podem ser produzidos em altos volumes e custos significativamente menores do que os métodos aeroespaciais tradicionais permitiram anteriormente.

    Os crescentes desafios de mobilidade nas megacidades, juntamente com essas tendências, tornam o caso de uma nova geração de carros pessoais voadores. As barreiras tecnológicas serão superadas em 20 anos, bem como todo o trabalho de infra-estrutura, para obter aprovação dos legisladores, bem como a aceitação da sociedade, coisas que não acontecem durante a noite.

    E como estamos no Brasil?

    Em todos os principais países e centros urbanos a grande preocupação é com a mobilidade urbana, a redução de acidentes e melhoria da qualidade de vida. Isso significa que todos os modais de transportes terão e estão caminhando para tecnologias que os integrem e utilizem tecnologias que levem a locomoção autônoma.

    No Brasil o caminho dos transportes autônomos segue os passos internacionais,  a empresa MSC Software, adquiriu recentemente a Alemã VIRES, especializada em simulação vertical de produtos para apoiar as indústrias brasileira no desenvolvimento de protótipos brasileiros para a locomoção autônoma. 

    Enquanto nas ruas brasileiras – e do mundo – a ideia de um carro rodando e voando sem motorista continua sendo um desejo para muitas pessoas, para os engenheiros da indústria automotiva e aeronáutica é prioridade.

    Com o Virtual Test Drive, software desenvolvido pela VIRES, é possível simular tráfego, temperatura e outras inúmeras variáveis do trânsito para avaliar como um carro autônomo reagiria a essas situações. “Somado a outras soluções de análises mecânicas que a MSC oferece, será possível a simulação mais completa possível para o desenvolvimento de tecnologias para veículos autônomos”, diz Valdeni Novaes, diretor regional para a América Latina da MSC.

     

    Para Novaes, ao trazer a solução para o Brasil, a empresa atende uma demanda da indústria que precisam adaptar automóveis para o Brasil, assim como desenvolver novos protótipos locais. “Nosso país tem características muito particulares de trânsito, então é essencial disponibilizar essa tecnologia de simulação para as equipes brasileiras de desenvolvimento e testes de veículos”, explica ele, que ressalta a possibilidade de uso do VIRES também pelas indústrias ferroviária e aeroespacial.

    Além da ferramenta ser essencial para alcançar o sonho de um carro completamente autônomo e voador, o Virtual Test Drive promove práticas sustentáveis para transporte e mobilidade urbana. Por um lado, simulações virtuais geram economia e redução do desperdício material ao complementarem ou mesmo substituírem um protótipo físico.

    Por outro, o mesmo processo permite atingir produtos mais eficientes do ponto de vista energético.

    “Como resultado, caminhamos na direção de atender todas as demandas de um programa como o Rota 2030, que estabelece as diretrizes que devem ser seguidas pela indústria automotiva brasileira no futuro”, afirma o diretor da MSC.

    Também temos projetos da Embraer com Uber e outras empresas para o desenvolvimento de aeronaves autônomas em andamento. Muito temas ainda são sigilosos, mas pode ter certeza que não estão parados e a velocidade é da alta tecnologia.

     

    Deixe uma resposta